Raquel Gerde será a candidata do MBL ao Senado

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ES – Raquel Gerde, coordenadora do Movimento Brasil Livre no Espírito Santo, irá concorrer ao Senado Federal nessas eleições. Conhecida pela luta contra a corrupção, acredita que é necessário entrar para a política para promover a mudança. “Quando a gente vê os mesmos que estão aí no poder fazendo de tudo  pra se perpetuarem, é o momento de apresentarmos novos nomes como opção para que o eleitor não fique sem saída ou desesperançoso. Relutei muito em tentar, mas o apelo popular tem sido muito forte.”, diz ela.

A batalha de Raquel já é antiga. Em 2012, estava nas ruas contra o aumento do salário dos vereadores em Guarapari, ES. “Nunca fui política, aliás tinha horror a política, eu era a verdadeira “analfabeta política”. Até então nunca me importava com o que acontecia (congresso, prefeitura, etc). Por indignação, fui às ruas contra o aumento do salário dos vereadores de 148,5% naquele ano, era uma revolta geral no município.”, conta.

Quando foi divulgado que iria concorrer a uma vaga no Senado, se levantou a questão de Gerde ter flertado com a esquerda em seu passado. Sobre isso, ela esclarece que participou de uma ONG que era uma entidade apartidária. “Não fazíamos defesas ideológicas, nossa luta era no combate a corrupção e por transparência pública. Fazíamos muitas ações, e hoje depois de um período de maturidade, sei que quem nos ajudava na época era esquerda, porque eram eles que estavam nas ruas e na ativa até então. Por eu não entender na época nada de ideologia, não sabia que era esquerda ou direita, em diferenciar uma coisa da outra, sabia que eram pessoas me ajudando, não havia essa polarização de debate, pelo menos no meu trabalho que era focado no combate à corrupção.”

“Fui uma das pessoas que liderou as manifestações de 2013, também não sabia que os outros líderes eram esquerda, não havia uma pauta, mas um povo indignado. Aceitei ser presidente dessa ONG no dia em que meu filho fez 22 anos e nesse mesmo dia passou no processo seletivo em uma companhia aérea para piloto. Entendi que meu filho não precisava mais de mim, era grata a Deus por ter me ajudado a cria-lo, então sabia que não entendia nada de política, mas entendia de amor ao próximo e justiça social e decidi aceitar ser presidente por 2 anos e lutar no combate a corrupção pelo filhos de muitos.”, relata.

Sobre as despesas para sua atuação nesse período, Gerde conta que foram 6 anos sem ganhar um tostão. “Colocando meus recursos e meu tempo, recusei os cargos que me ofereceram por entender o quanto ainda era importante a luta dentro de Brasília e nas ruas. A Bíblia diz em Eclesiastes 3 que “Existe tempo para todas coisas”, precisamos aprender a conhecer o tempo.”

Questionada sobre ter sido do PC do B, ela esclareceu que em 2014 venceu o seu mandato na ONG e havia um apelo para que seu nome fosse colocado na política. “Eu sabia que a ONG era uma luta municipal e que tudo que eu queria ver mudar estava em Brasília. Então, sem nenhum conhecimento de política partidária, decidi ir além. Me filiei a princípio no partido PSDC, mas o presidente da época fez um acordo às escondidas com outros pré-candidatos de me rifar lá na frente, fazendo com que a legenda não desse a vaga pra mim.”, relatou.

“Descobri isso faltando poucos dias para o prazo final das filiações. Então aqueles que estavam comigo nas ruas me acolheram e me aconselharam procurar outro partido. Me filiei no partido errado, achava que era só uma sigla, até ver as defesas deles de fato, que foi o PCdoB. Na época os dirigentes se aproveitaram, fazendo inúmeras promessas, mentindo dizendo que o partido não tinha nada com comunismo, que era apenas uma legenda e que eu tinha um grande potencial para que colocasse em prática aquilo que eu sempre lutei, porque o partido era apenas um meio para tal.”

Sem conhecer o campo que estava pisando e com o tempo correndo contra si, Raquel acabou se filiando ao partido errado, mas logo percebeu o equívoco e deixou a legenda. “Me filiei na condição de não usar símbolo, nome e nem fazer campanha da Dilma. E eles aceitaram… Até porque eu nunca fiz sequer qualquer defesa de comunismo, eu nem sabia na real do que se tratava… Até que a conversa mudou e eles começaram condicionar apoio a minha candidatura depois da minha campanha registrada, pra eu fazer campanha da Dilma. Eu não aceitei e rompi com eles com uns 3 meses, e disse que não queria nada deles.”

“Eu caminhei praticamente sozinha, utilizei praticamente nada da campanha, paguei meu combustível com meu dinheiro, e só não parei a campanha porque na época não sabia que podia desistir. Não queria nem ser responsável  por ajudar a eleger alguém daquele  partido. Com a polarização da campanha, principalmente no segundo turno, entendi que existia “dois Brasis” e que eu não tinha nada a ver com aquele povo, com aquela ideologia e com aquele projeto de poder… Votei (sic) na Marina no primeiro turno escondida, e no segundo declarei meu voto abertamente ao Aécio, daí começaram a guerra comigo e logo me desfiliei.”, conta.

Após a experiência, resolveu se aprofundar nos assuntos que havia descoberto: “Depois de passada a eleição fui procurar entender e ler sobre tudo o que era socialismo e comunismo, descobri a fundo o projeto de poder deles, o bolivarianismo, o Foro de São Paulo, e o risco que era essa ideologia para o futuro do nosso país. Até hoje uns desavisados ou mesmo petistas me chamam de comunista por conta daquela filiação desastrosa, mas eu nunca fiz sequer uma defesa deles, pelo contrário, assim que descobri logo tratei de pular fora.”

MBL 

Sobre a relação com o Movimento Brasil Livre, Gerde relata que sua experiência passada havia deixado uma revolta que acabou a motivando mais ainda a lutar pelo que acreditava. “O Brasil se dividiu naquela eleição [de 2014] e só eu vim para o lado do verdadeiro Brasil, em novembro daquele ano mesmo descobri o MBL no Masp e passei a seguir eles nessa luta contra o PT e seus asseclas. Passei a ser “da analfabeta política filiada ao PCdoB” ao terror deles e sua maior opositora.”

“Assumi a coordenação estadual do Espírito Santo e estou desde 2015 de alguma forma não só nessa luta, mas também trazendo novas idéias para a mudança do país. Há muito ainda o que fazer. Nosso país é atrasado, burocrático, endividado e violento. Respira por aparelhos. É como eu sempre digo: Mudamos de governo, mas temos que mudar o Brasil. E essa mudança passa pela renovação, e hoje o povo tem a oportunidade de escolher pessoas comprometidas realmente com o novo.”, destaca.

Raquel Gerde é a primeira integrante do Movimento Brasil Livre lançada a disputa no Senado. Está filiada ao PTB para a disputa.

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Formada em teatro e graduando-se em direito. Integra o Movimento Brasil Livre. Email para contato: francineggalbier@gmail.com. O Diário Nacional é um blog com linha editorial à direita, que faz cobertura de notícias políticas e textos de opinião, contando com diversos colaboradores.

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