O desespero de Lula

COMPARTILHAR

OPINIÃO — Já fazia algum tempo que Lula tentava se colocar como uma figura de resistência. Baseado em seus grandes ídolos -Che, Chaves, Castro- tentou se abster de um corpo, para se tornar uma ideia, como dito em seu último pronunciamento. Porém, tudo que observamos em seus últimos dias foi seu medo, sua insegurança, sua incapacidade de manter suas próprias promessas.

Como todo bom socialista, o ex-presidente adotou uma narrativa de vítima: perseguido pela polícia, pelo MP, pelo juiz Sérgio Moro, pela mídia. Criou uma narrativa de resistência, de combate contra as injustiças a ele direcionadas. Usou todas suas forças para reunir o povo e dizer que esse estava do seu lado. Usou todos os seus partidos (PT, PC do B, PSTU, PSOL, PCO, entre outros), todos seus movimentos (UNE, UJS, UBES, UPES, Levante Popular da Juventude, entre outros), usou tudo. O resultado, porém, só mostrou sua incapacidade de mobilizar a população.

Mesmo tirando fotos em ângulos favoráveis, mesmo apertando todos em pouco espaço para dar impressão de volume, às vezes a câmera subia e observávamos a realidade: todos os esforços petistas conseguiram encher um quarteirão, em uma rua pouco larga. Mesmo mobilizando povos de outras cidades, pagando ônibus, pagando comida, usando todos os seus recursos, Lula não conseguiu mobilizar uma parcela significativa da população.

Tal fracasso fica mais em evidência ao compararmos com a manifestação anti-PT promovida no dia 03/04 por movimentos populares, como o MBL e o Vem Pra Rua. Mesmo sem apoio da mídia, a mobilização foi um sucesso, com centenas de milhares de manifestantes aglomerando-se na Avenida Paulista, em uma noite de semana, e de graça.

A solução de Lula foi então chamar o máximo de atenção para os poucos manifestantes que tinha: desafiou ordem judiciais, inventou uma missa de aniversário para a falecida esposa, fez um discurso interminável desafiando a autoridade pública.

Mas seu desespero era evidente. Estava indeciso, catatônico, foi pego de surpresa pela ordem de prisão imediata expedida por Moro, e desde então não soube o que fazer. Hora decidia que sairia para se entregar. Depois mudou de ideia e disse que faria um pronunciamento de tarde. Não fez o pronunciamento e não se entregou. Disse que resistiria. Começou a negociar sua rendição com a PF. Decidiu fazer uma missa de aniversário para Marisa Letícia, que se tornou em um comício político, e uma campanha para seus aliados candidatos à presidência. Disse que se entregaria. Disse que não conseguia. Enfim, com a polícia na porta, Lula se entregou.

Lula não tinha um plano, não tinha ideias. Tentou mostrar força perante seus súditos, e assim que a polícia bateu na porta, saiu com o rabo entre as pernas.

Lula, que tentou se colocar como o filho do Brasil, a salvação para o país, termina sua carreira política com medo, acuado, sem saber o que fazer: uma vergonha.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Coloque seu nome aqui