Relatório da ONU menciona que já existem 100.000 refugiados venezuelanos

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VENEZUELA — Desde o início de 2017 já são mais de 100 mil venezuelanos que fugiram do regime socialista do ditador Nicolás Maduro, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

O Antagonista informou:

“A ONU pediu aos países da região que se mostrem “solidários” com os venezuelanos, que fogem da catástrofe econômica –com hiperinflação e escassez de alimentos e remédios– da ditadura de Nicolás Maduro.

Segundo o serviço de migrações da Colômbia, já há cerca de 550 mil venezuelanos vivendo lega ou ilegalmente no território do país vizinho. O número pode chegar a um milhão até meados deste ano.”

Com a ditadura socialista e a hiperinflação – prevista pelo Fundo Monetário Internacional para ultrapassar 2.500% em 2018, os venezuelanos que não conseguem fugir do caos estão passando fome extrema.

Uma pesquisa feita pela Universidad Católica Andrés Bello (UCAB) aponta que 64,7% dos venezuelanos perderam em média 11,4 quilos. O fenômeno ocorre em todas as classes sociais.

A população como um todo está em dieta forçada, perdendo peso porque não há o que comer.

Leia trecho da matéria que a Gazeta do Povo fez sobre o assunto:

“Sete em cada dez pessoas não têm condições financeiras para comprar comidas balanceadas e saudáveis. E quase dois terços dos adultos reduziram a quantidade de comida nas refeições porque não havia dinheiro disponível. A mesma proporção afirma que dorme com fome. 

A estimativa é que 8,13 milhões de habitantes, cerca de um quarto da população, coma duas ou menos refeições por dia. A dieta alimentar está se deteriorando e os mais afetados são os mais pobres. O padrão alimentar do venezuelano está centrado em arroz, farinha de trigo, milho e tubérculos. O consumo de frutas e hortaliças caiu drasticamente de 2016 para 2017, aponta a pesquisa da UCAB.

A conclusão da pesquisa é de que a forma como o venezuelano come está perdendo tanto em qualidade quanto em quantidade. As fontes de ferro e outros nutrientes estão cada vez mais escassas, por causa da redução no consumo de hortaliças, frutas e farinha de trigo não enriquecida. 

O aporte de proteínas de alto valor biológico – como o zinco, ferro, vitaminas A e do complexo B – também está diminuindo. É uma dieta que favorece a anemia, ressalta a pesquisa. 

Outro problema enfatizado pelo levantamento da UCAB é a drástica redução no consumo de leite e seus derivados. “Os poucos que existem, podem não ser de boa qualidade, com uma reduzida composição de proteínas, cálcio e ácidos graxos”, aponta o relatório do levantamento. 

A deterioração da situação alimentar do venezuelano é um reflexo da acentuação da pobreza do país, que atinge 87% dos lares e vem ganhando força nos últimos anos, à medida que a inflação aumenta. Em 2014, 48,4% da população era considerada pobre. “A inflação é um imposto social perverso, atingindo a classe trabalhadora”, diz Masimo della Justina, professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). 

O número de domicílios em situação de pobreza extrema quase triplicou em três anos. Segundo a pesquisa da UCAB, em 2014, era 23,6% da população. Em 2017, 61,2%. O problema é maior nas pequenas cidades do interior. 

A pesquisa faz um alerta: “Se se mantém o empobrecimento como até agora, o peso dos que empobreceram mais recentemente será menor, o da pobreza crônica maior e, em consequência, custará muito mais aos lares para sair da pobreza.” 

Della Justina aponta que o empobrecimento do país aliado à hiperinflação pode contribuir para a deterioração da situação política. “Quando o preço dos alimentos, da cerveja e do papel higiênico sobe muito acaba por mexer no psicológico das pessoas. São atingidos os instintos básicos de sobrevivência.” Com isso, destaca ele, a chance de as pessoas irem às ruas para protestarem cresce. “É um comportamento de manada, um puxa o outro.” 

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