Sérgio Cabral, e os órgãos de justiça do Rio de Janeiro

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OPINIÃO – Durante o governo do ex-governador Sérgio Cabral do PMDB/RJ foi feito uma série de parcerias com todas as instituições ligadas a justiça fluminense durante os seus quase oito anos de mandato, tendo ele formalizado parcerias com Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública com a realização de investimentos tanto na área de departamento de pessoal viabilizando aumentos salariais e concessões de benefícios (auxílio moradia, auxílio escola, entre outros), como na área de infra-estrutura com a construção de novos prédios para esses órgãos em todo o estado.

Passados os anos, o ex-governador veio a ser revelado como um dos maiores saqueadores dos cofres públicos do país através da atuação exemplar do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná que levou a operação Lava-jato até o estado da boemia e carnaval, contudo, paira a dúvida de como o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) não tomou nenhuma providência a respeito ante a realização de tantos esquemas de corrupção de baixo de seu nariz.

Será que as instituições e órgãos ligadas ao setor da justiça fluminense, mais especificamente o MPRJ que é o titular da ação penal, estavam tão pertos do criminoso e por isso não conseguiram ver o óbvio que foi desvendado pelos procuradores sulistas?

Será que esses órgãos ficaram tão vislumbrados com a benignidade do ex-governador que o santificaram achando-o incorruptível?

Ou será que apenas se distraíram com o brilho do carnaval carioca e benefícios concedidos pela carreira pública, ficando entorpecidos durante todos esses anos?

Nunca saberemos essa resposta, no entanto, hoje podemos afirmar que o MPRJ se mostra extremamente ativo, tanto é que até abriu investigação contra o prefeito do Município do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para saber se a mãe dele, senhora de quase 80 anos de idade, furou fila do hospital público para realizar uma cirurgia de emergência, ao invés de ir nos melhores hospitais particulares da cidade que é a prática adotada por quase todos os políticos, já que os hospitais públicos são tidos como ruins em geral.

Ainda, na questão da operação Lava-jato hoje temos a notícia divulgada pela revista Veja on line de que na operação Jabuti, que levou à prisão do presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, teria se descoberto que houve pagamento de propina por meio do escritório Basílio Advogados que pertence a Ana Basílio, que é casada com o desembargador André Fontes, presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Embora não envolva, a princípio, diretamente o ex-governador do RJ, a denúncia acima é pertinente ao tema desta nota para reflexão entre possíveis ligações indecorosas entre a justiça com políticos.

Interessante se notar que, mesmo após todas as evidências dos crimes milionários desvendados pela operação Lava-jato,  o MPRJ continua inerte a qualquer questão relacionada ao governo de Sérgio Cabral e seu sucessor Pezão, preferindo o MPRJ se prender a investigação do prefeito Crivella que está a apenas um ano na prefeitura, o que nos leva as seguintes perguntas: será que está tendo protecionismo para determinados políticos?  Será que está tendo perseguição de outros políticos? O que é mais relevante, investigar o desvio de centenas de milhões de reais ou investigar o atendimento emergencial de uma senhora quase centenária?

São apenas divagações para refletirmos, pois nunca saberemos essas respostas, mas uma coisa é certa, a atenção que o ex-governador Sérgio Cabral deu ao setor da justiça fluminense como um todo foi o melhor investimento que ele fez e poderia fazer durante o seu governo, talvez não para a sociedade, mas para ele com certeza foi.

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