Presidente da escola campeã do carnaval de SP defende substituição do dinheiro público por financiamento privado nos carnavais futuros

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SP — Nessa quarta, 14, em participação no programa Morning Show, da rádio Jovem Pan, Eduardo dos Santos, o presidente da escola de samba vencedora do carnaval de São Paulo desse ano, Acadêmicos do Tatuapé, defendeu a substituição do financiamento público pelo privado para os próximos carnavais.

Eduardo comentou que a Tatuapé provavelmente é a escola que mais reaproveita material utilizado em carnavais passados, o que já dá para poupar bastante dinheiro. “É um modelo que a gente implantou há seis anos atrás e que tem dado resultado.”, contou.

Questionado pelo jornalista Cláudio Tognolli sobre a origem da maior parte do dinheiro que mantém a Tatuapé, e por Edgard Piccoli sobre o envolvimento de dinheiro público no carnaval, respondeu que a verba para as 14 escolas de samba do grupo especial de São Paulo é exatamente igual, e composta pelo direito de transmissão do carnaval, de uma subvenção que recebem da prefeitura de São Paulo e do plano comercial, que é basicamente bilheteria e outros direitos de exploração como venda de alimentos e publicidade.

Edgard então questionou se o Maranhão ajudou com verba pública, uma vez que o enredo da Tatuapé era sobre o estado, e Eduardo respondeu: “Não. Na verdade, nós tentamos de todas as maneiras uma aproximação com o governo do Maranhão, que se recusou a nos receber. (…) Muito próximo do carnaval, já no mês de janeiro, recebemos a visita de algumas pessoas. Do prefeito de São José de Ribamar e de empresários de São Luís dispostos a nos ajudar. E tivemos alguma ajuda. Mas nenhuma verba oficial, nenhuma de governo. Foram todas iniciativas das pessoas que se sensibilizaram com o tema”.

“A nossa bateria é muito cara para fantasiar, para fazer manutenção de instrumentos. Nós implantamos um modelo onde nós temos uma representante na corte da nossa bateria, que são aquelas meninas que vão na frente, nós temos uma representante da nossa comunidade e as outras posições todas são vendidas. É uma maneira que a gente tem de fazer recurso. Essa é uma das nossas fontes de receita, que não é tão representativa assim mas nos ajuda bastante. Então as meninas vão lá, tem uma tabela de preço. Quem quer ser princesa paga tanto, quem quer ser rainha paga tanto. E montado o time a gente vai. É uma troca justa.”

Visivelmente constrangido, ele completou: “Eu tenho certeza absoluta que um dia o Tatuapé não vai precisar disso. Nós vamos ter outras fontes de receita. Eu não gosto, a gente faz porque tem que fazer.”

Questionado se a Tatuapé pensou em fazer alguma manifestação política, respondeu que cada escola tem a liberdade de escolher seu enredo e que a escola pensa nisso num futuro quando a proposta tiver dentro do enredo escolhido.

Questionado se sentiu falta de conflitos e brigas durante a apuração de votos da escola, Eduardo respondeu que não sentiu falta e que é muito bom que não aconteça. “Graças a Deus isso não aconteceu esse ano, como não aconteceu no ano passado. Isso é muito bom para a imagem do carnaval, é muito bom, inclusive, para que no futuro as escolas possam fazer a troca da verba pública pela verba da iniciativa privada. Isso tem muito a ver com a nossa imagem, com a lisura do processo, com a calma de uma apuração como a de ontem. Várias escolas empatadas em primeira e você vê que não teve nenhum problema, nada de violência, com muita tranquilidade. É assim que tem que ser. É assim que a gente pode se aproximar da verba privada e abrir mão da verba pública, que deve servir para outras coisas”, disse.

Confira na íntegra:

As informações são do programa Morning Show, da Rádio Jovem Pan.

 

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