Envolvidos na polêmica da “performance La Bête” estreiam peça sobre o caso para “transformar a luta em arte”

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CURITIBA — Leia a matéria publicada pelo Guia da Gazeta do Povo sobre o Festival de Curitiba desse ano:

“Os artistas que foram o centro das maiores polêmicas do teatro – e das artes, em geral – no Brasil em 2017 estarão reunidas em um espetáculo que estreia no Festival de Curitiba 2018.

A 27ª edição do festival mais importante do teatro do país começa em 27 de março. A programação completa foi divulgada nesta quarta (14) e os ingressos começam a ser vendidos na quinta (15).   

Um dos espetáculos de destaque da programação – e o que deve provocar mais barulho – é a estreia da peça “Domínio Público”.

Em seu elenco estão os artistas que foram atacados publicamente por suas atuações e posturas cênicas no ano passado. O coreógrafo Wagner Schwartz, que realizou a performance La Bête no Museu de Arte Moderna do Rio, onde ficava nu e podia ter o corpo manipulado pelos visitantes.

Elizabeth Finger, a mulher que incentivou que sua filha tocasse o corpo nu de Schwartz, também estará na peça.

Fazem parte do elenco ainda Renata Carvalho, a travesti que encenou a peça “O Evangelho Segundo Jesus”, Rainha do Céu, no papel de Jesus Cristo, e o curitibano Maikon K, o artista que surgia nu, dentro de uma bolha, na obra DNA de Dan e chegou a ser preso durante o espetáculo em Brasília.

Polêmicas no palco

A repercussão destas apresentações abriu um debate ruidoso sobre os limites da arte. Os artistas foram acusados entre outras coisas de incitar a pedofilia, desrespeitar crenças religiosas e praticar ato obsceno.

Renata Carvalho explica que o a ideia da peça nasceu de conversas dos curadores do festival, os atores e diretores Guilherme Weber e Marcio Abreu com Scwhartz e Maikon, que em seguida a convidaram.  

Ela conta que o espetáculo está sendo “gestado” em conjunto pelos quatro, especialmente para o Festival de Curitiba. O grupo vai se unir para uma imersão a partir de 1º de março quando acabam os compromissos em outras peças de todos do grupo e só então criar o formato final do espetáculo.

“Vamos unir as nossas inquietações artística. A gente quer propor, participar, debater e tirar da gente os rótulos que nos colocaram e não nos cabem. Mostrar como isto afetou nossa vida cotidiana e profissional”, disse.

Para a atriz, o título do espetáculo “Domínio Público” já traz uma provocação. “Nossa obra foi deslocada, e olhada sem contexto. As pessoas deram a opinião mesmo sem conhecer as peças e trabalhos.”

Segundo Renata, o público novamente terá participação ativa na narrativa que o grupo vai criar sopre temas como o corpo, linchamentos digitais e as ligações entre estado e religião, arte e sexo.

“É muito importante que um festival com o tamanho do de Curitiba dê espaço para se debater estas questões. Precisamos prender que não podemos nos dar um luxo de enfrentar um preconceito só: o mesmo que me pega aqui vai te pagar ali na frente”.

Ela disse que está preparada para enfrentar novas polêmicas que podem surgir com a montagem da peça. ”À frente está o nosso ‘querer dizer, nosso ‘não se calar’ e transformar nossa dor em luta e nossa luta em arte”, diz a atriz.”

Eles precisam entender só uma coisa: vai ter nudez e criança? Se não tiver, é possível que pouquíssimas pessoas se importem com a peça em questão.

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