Conheça Saloah Sabino, a jovem de 17 anos que está transformando a política da Paraíba

COMPARTILHAR

PARAÍBA — “Em 2015 meu professor de sociologia montou uma sala sobre ideologia de gênero na feira de ciências da escola. Eu fui debater com ele e o pessoal do MBL JP ficou sabendo, foram me acompanhar. Ao questionar, os estagiários começaram a gritar comigo, inclusive, Olga, do Levante Popular, botou o dedo na minha cara e me chamou de racista. Ao sair de uma sala, montaram um corredor polonês pra me bater. Tivemos que sair escoltados”, conta Saloah Sabino, a jovem de João Pessoa que está transformando a política no estado da Paraíba.

O caso relatado aconteceu quando ela tinha 15 anos, mas seu primeiro contato com o ativismo foi aos 14 com as manifestações de 2014 que pediam a saída de Dilma Rousseff da presidência. Hoje com 17, é coordenadora estadual do Movimento Brasil Livre: “Me tornei coordenadora em 2015 e nossa atuação durante o impeachment foi fantástica, nossa maior manifestação foi em 13/03/2016 contando com 20 mil pessoas em João Pessoa, cerca de 4 mil em Campina Grande e mil pessoas em Patos.”

Em expansão pelo estado, o MBL conta com quatro núcleos: João Pessoa, Campina Grande, Santa Cecília e Areial. “Nossa atuação tem sido focada no interior, Areial, por exemplo, tem cerca de 6 mil habitantes.”, diz Saloah, que também é presidente do grêmio no colégio estadual que frequenta, o E.E.E.F.M. Profa. Olivina Olívia Carneiro da Cunha.

Quer cursar história e ser professora. Isso explica sua garra em defender o programa Escola Sem Partido: “o projeto foi protocolado em 5 cidades, e na Assembléia Legislativa da Paraíba.”. Não é por acaso que seu nome já é considerado o terror da extrema esquerda paraibana.

“Em João Pessoa o projeto foi arquivado porque o CCJ declarou inconstitucional, diferente de Montadas (interior) onde o CCJ declarou constitucional. Mobilizamos toda sociedade civil para a Câmara Municipal, de modo que o sindicato de classes nos atacou ferrenhamente e afirmaram que estavam com medo da aprovação do projeto. Infelizmente, não foi aprovado por causa de um vereador que se absteve, tendo 3 votos a favor e 4 votos contra (presidente votaria caso empate).”, relata.

Mesmo com o arquivamento, Saloah não desistiu: “Em João Pessoa não deixamos de discutir a pauta. Dessa vez, nos mobilizamos para barrar o projeto Escola Livre protocolado pela vereadora Sandra Marrocos (PSB), de autoria psolista. A vereadora dedicou seus minutos em sessão ordinária para nos ameaçar de processo, Jean Wyllys nos atacou nas redes sociais e Sâmia Bonfim também.”

Questionada sobre o programa, ela respondeu: “O Escola Sem Partido é importante para preservar a liberdade de consciência dos alunos, pois é notório que somos a parte mais frágil do ensino. Nossos professores são nossos mestres, suas opiniões podem impactar nossas formações e por isso devem ter a responsabilidade em trazer ideias de forma justa, para não formarem militantes adeptos das suas opiniões mas alunos com senso crítico para avaliar os fatos e chegar as suas próprias conclusões.”

Saloah também comprou briga com a prefeitura de sua cidade ao descobrir que haviam criado um programa de inclusão LGBT em vagas de emprego usando apenas a transexualidade como critério avaliativo: “o barulho foi grande e a prefeitura soltou uma nota pra nos responder.”

Com todo esse talento, perguntei se ela não sente vontade de ser representante do povo e entrar de vez para a política, e mesmo admitindo que isso poderá vir a ocorrer no futuro, manteve firme sua escolha de ser professora: “Hoje eu vejo que muitos liberais e conservadores tomam as áreas de direito, economia, filosofia, ciências políticas, entre outras. Entretanto, eu vejo de suma importância tomar a narrativa histórica, pois ela ultrapassa gerações. Minha preocupação é como esse momento político que vivemos será relatado nos livros que as futuras gerações irão ler nas escolas e universidades. Por isso, me sinto no dever de me dedicar nessa área e trazer um contraponto à manipulação de fatos que a esquerda tem feito na academia de história durante anos”, respondeu.

Independente da área que irá atuar, uma coisa é certa: Saloah já está fazendo a história em seu estado. São jovens como ela que irão, de fato, mudar o país.

 

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Coloque seu nome aqui