Parlamentares de extrema esquerda dão piti diante de sugestão que pede retirada de título de Paulo Freire

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Na terça-feira, 28, convidados da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, CDH, foram contra a sugestão legislativa da população para que o título de Patrono da Educação Brasileira dado à Paulo Freire seja revogado.

Confira o trecho da matéria publicada no site do Senado.

De acordo com a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), relatora da matéria na CDH, a sugestão “é filha da ignorância”, pois apenas o desconhecimento do trabalho de Paulo Freire levaria alguém a propor “uma sugestão tão absurda, estúpida e insensata”. A senadora reafirmou que seu parecer será pela rejeição da proposta, pois, segunda ela, por ser professora, sua posição não poderia ser outra.

A educadora Ana Maria Araújo Freire, viúva de Paulo e representante do Coletivo Paulo Freire, afirmou na audiência que o pedagogo foi “diminuído e desprezado a um nível jamais visto” pela sugestão legislativa.

— Quem luta contra Paulo não está lutando contra ele, está lutando contra a honorabilidade e fidelidade à nação brasileira — disse.

Para a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), autora da Lei 12.612/2012, que conferiu o título de Patrono à Paulo Freire, a sugestão é um atentado ao educador.

— É um segundo exílio o que querem decretar a Paulo Freire – disse, se referindo ao exílio sofrido pelo educador durante o período de Ditatura Militar a partir de 1964.

Segundo Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a matéria é “um ataque a todo cidadão brasileiro”. Para ele, a proposta de educação democrática e emancipadora de Freire é um trabalho único, pois é uma teoria que foi comprovada de forma prática.

— Os grandes pensadores criam referências e não podemos abandonar essas referências — disse.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) entregou na audiência a “moção de repúdio” à sugestão aprovada na Comissão de Cultura e na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O deputado fez ainda uma crítica ao portal e-Cidadania. Para ele, a ferramenta é “sem critério e sem filtro”. Jean defendeu que as sugestões legislativas que fossem “inconstitucionais e imorais” não deveriam ser acatadas.

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Sou da área da educação e voto a favor da retirada. A pedagogia freireana tira o foco do conteúdo didático para questões humanitárias que já são abordadas em matérias afins e que não precisariam ser incorporadas em todas. Mas o conceito mais perigoso da pedagogia freireana é se assumir ideológica e não admitir uma pedagogia que não seja, mas não discutir os pilares em que se alicerça, simplesmente impondo um determinado viés aos alunos. Por isso foi promovida como modelo, pois é na raiz um modelo doutrinário que contraria o princípio constitucional da neutralidade ideológica que os agentes do estado devem ter, entre eles o profesor. No final toma-se um tempo exagerado do aluno e não se ensina o conteúdo com a devida qualidade.

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