Especialista desvenda reais intenções por trás de carta de Luciano Huck

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O administrador e conferencista Bruno Scartozzoni, especialista em construção de narrativas e mitologia comparada fez, na manhã desta segunda-feira (27), a melhor das análises que vocês verão em redes sociais sobre a suposta “desistência” da candidatura de Luciano Huck a presidente em 2018.

Para Bruno, a carta em si – contendo referencias inclusiva à Odisséia, de Homero -, faz parte roteiro tradicional da “saga do herói”, espécie de padrão narrativo costumeiro presente em praticamente todas as mitologias de todos os povos ao redor do planeta. No caso, a carta representa a “recusa inicial” do herói diante do chamado, temendo não estar “pronto” ou ser “comum demais” para a árdua tarefa.

O passo narrativo seguinte é, obviamente, a aceitação da missão após a mesma se tornar “impossível de ser recusada”. Confira o texto de Bruno e tire suas próprias conclusões:

“Hoje amanhecemos com o artigo de Luciano Huck na Folha. Para quem ainda não leu, ele basicamente diz, com todas as letras, que não é candidato à presidência.

Não conheço Luciano Huck e não tenho a menor ideia de como ele pensa, do que sentiu nas últimas semanas e se está falando a verdade ou não. Talvez esteja mesmo, afinal, ser um candidato do porte que ele seria exige estômago e um desprendimento com a própria imagem que não é para qualquer um.

Mas vamos imaginar um cenário onde, no fundo, ele ainda tenha pretensões. O que quero mostrar é que, considerando essa hipótese, o artigo de hoje também se encaixa perfeitamente.

Décadas atrás um cara chamado Joseph Campbell estudou mitologias de diversas sociedades, algumas que nunca se encontraram ou nunca souberam da existência umas da outras, e descobriu algo impressionante.

Todas as histórias mitológicas (ou religiosas, dependendo do ponto de vista) já contadas pelo Homem seguem o mesmo padrão, ou a mesma estrutura narrativa. Ainda que os elementos mudem, a sequência de fatos é extremamente parecida em todas as sociedades. E para essa sequência ele deu no nome de “Monomito” ou “Jornada do Herói”.

O primeiro passo da Jornada do Herói é justamente alguém comum, que só quer continuar vivendo sua vida na sua zona de conforto, receber um chamado para uma aventura espetacular. Inicialmente esse alguém rejeita o chamado, mas, por uma série de razões, em um futuro próximo ele não terá escolha. É como se o universo puxasse ele pelo braço e falasse “é tu mesmo, vem!’.

O resto da estrutura vocês já conhecem por uma centena de filmes como Star Wars, Matrix, Avatar, Harry Potter e por aí vai… Mas vamos ficar com esse começo.

Caso Luciano Huck ainda esteja considerando ser candidato em 2018, bem, esse sinal dado hoje na Folha é tudo que ele precisa para encaixar sua própria narrativa dentro de uma estrutura de Jornada do Herói.

Luciano Huck, só mais um cara da TV de repente apontado por muitos como o “escolhido para salvar o Brasil”. Mas ele se vê como alguém comum. Como alguém que não pode vencer esse desafio,e dá para um passo para trás. É justamente nesse momento que os eleitores começam a pensar: “Puxa vida, a opção Huck não era tão ruim assim. Com outros candidatos piores na parada, por que não? Ajuda Luciano! Volte para nos salvar!”.

Não me surpreenderia se, daqui alguns meses, ele escrevesse um novo artigo começando por “Pensando bem…ouvi as vozes das ruas…e mudei de ideia!”. Seria um início perfeito para uma história típica de Jornada do Herói. Um prato cheio para qualquer marketeiro político. E uma esperança redonda para eleitores desiludidos.

Se ele vai fazer isso mesmo? Não sei. Mas Luciano, me ouça, se você ainda tiver segundos pensamentos, tem uma solução perfeita para você!”

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