Marina Caixeta, do G1, dá aula de jornalismo em entrevista com Kim e Arthur

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Em tempos nos quais a mídia está com a moral cada vez mais baixa, é gratificante observar um trabalho jornalístico que respeite seus interlocutores, sem distorcer aquilo que os entrevistados falam.

É o caso de uma ótima matéria da jornalista Marina Caixeta para seu blog no G1, falando de uma entrevista que teve com Kim Kataguiri e Arthur do Val. O título é “Educação dos filhos: com ou sem intervenção do governo”.

A matéria se inicia com uma metáfora ilustrativa:

Imagine a seguinte conversa entre duas pessoas. Por enquanto, vou chamá-las de “Pessoa 1” e “Pessoa 2”

Pessoa 1: – Hoje em dia está tão complicado deixar os filhos na escola… tem tanta bagunça, professor ensinando ideologias inadequadas e deixando de passar aos alunos o que realmente é importante! Eu gostaria que minhas crianças estudassem em casa, porque…

Pessoa 2: – Não, você não pode! Nem pense nisso! Eu não deixo! Vou te processar!

Pessoa 1: – O que? Que diabos você tem a ver com isso? Os filhos são meus e eu devo decidir!

Pessoa2: Não, você está equivocado. Segundo este livro aqui que eu mesmo escrevi, você tem que me obedecer, senão vai preso.

Pessoa 1: Tudo bem, mesmo contrariado, eu obedeço.

Parece absurdo, né? Agora, substitua o “Pessoa 1” pela palavra “cidadão” e o “Pessoa 2” por “governo” e PIMBA! Agora, tudo faz sentido, porque é exatamente isso que acontece. Pois bem, como seria se não houvesse essa intervenção nas suas decisões pessoais que envolvem a vida do seu filho e da sua família? Para responder sobre isso, entrevistamos o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL) e o idealizador do Canal Mamãe Falei, Arthur do Val, que se consideram liberais, ou seja, aqueles que lutam exatamente contra o domínio total e absoluto da gestão pública sobre você, cidadão.

Kim Kataguiri comenta: “O ponto mais positivo é uma melhora fundamental na educação de base, principalmente na primeira infância, que você tem um investimento 4 vezes menor do que no ensino superior. O que a gente defende, basicamente, é que as famílias tenham o poder de escolha, ou seja, que o governo dê uma espécie de “bolsa família” para a educação e que elas possam matricular seus filhos em uma escola particular do seu gosto. Então, elas teriam uma espécie de “Voucher”, como funciona no Chile, na Suécia, e elas poderiam escolher onde seus filhos estudariam e, assim, não seriam reféns de escolas públicas de péssima qualidade, como são hoje”, afirma. Ele ainda diz que ninguém melhor para saber que tipo de educação uma criança ou um adolescente deve ter, do que os próprios pais. “Não é um burocrata em Brasília que vai entender qual é a necessidade de uma pessoa estar estudando em uma escola básica aqui em Uberlândia, por exemplo. Ele está distante, vivendo numa bolha em a pessoa mais miserável é uma copeira que ganha 15 mil reais. Ele não tem noção da realidade. A legislação é tão absurda, porque você tem pais que educaram seus filhos em casa, que passaram em primeiro lugar nos vestibulares três anos mais cedo do que eles deveriam prestar, e o Estado, por meio do Ministério Público, processa por abandono intelectual. Mas, como assim? Ele está conseguindo passar em primeiro lugar e processam os pais por abandono intelectual simplesmente porque não é levado à escola”.

A matéria cita a possibilidade de alguém escolher ter os filhos estudando em casa, conhecida pelo termo “homeschooling”. Sobre o assunto, Kim mais uma vez defende o poder de escolha dos responsáveis pela criança: “Acho que os pais têm que decidir como seus filhos devem ser educados. Acho que deve ter um critério mínimo, por exemplo, hoje já existe uma prova que é razoável, que é o ENEM, e você já pode medir razoavelmente se aquele filho está sendo educado ou não em questões como matemática, português, geografia, história, enfim. Então, ele poderia prestar esta prova, obter o diploma formal por meio dela e se ele foi aprovado estudando em casa, mas demonstrando que conhece todo aquele conteúdo que é exigido pela legislação, acho que não tem problema nenhum”.

Em seguida, a matéria cita a opinião de Arthur do Val sobre a Lei da Palmada: “Eu pessoalmente, se fosse educar meu filho, provavelmente não bateria nele ou utilizaria de castigo, ou todos aqueles métodos que aparecem na ‘Super Nanny’. Mas isso é uma liberdade de escolha minha e isso não significa que ao você permitir que a família eduque seu filho, você está permitindo que um pai trucide seu filho ou dê porrada. A gente não pode permitir que o Estado tome o papel que é da família, da escolha de como educar um filho, de como aprimorar o caráter do seu filho. A partir do momento que você faz isso, você dá uma mãozinha para o Estado pegar o seu braço e seu corpo todo. Quando você vê um adulto agredindo uma criança, isso naturalmente se torna um crime. Agora quando você dá poder para o Estado falar “olha, você deu uma palmadinha educadora no seu filho e por isso você vai ser punido”, aí você já está dando poder demais para ele. Então, são medidas diferentes, são coisas diferentes”.

“Em relação a essas questões como a proibição do homeschooling, da palmada, eu acredito que nada mais é do que o agigantamento do Estado. É o Estado querendo impor um passo a mais, cada vez mais dentro da sua vida privada, dentro da vida das famílias, e não é um bando de burocrata lá em Brasília que sabe melhor o que a própria família ali dentro do convívio sabe o que quer pro seu filho, escolhe o que é melhor para a sua estrutura familiar. Então acredito que é sempre melhor diminuir o Estado e deixar as pessoas mais livres”, esclarece Arthur, sobre as questões que envolvem as escolhas das pessoas diante do Estado.

Marina conclui, com clareza:

Para que a “Pessoa 1” citada ali em cima tenha mais autonomia para decidir o que fazer, a “Pessoa 2” precisa evoluir muito e passar a respeitar mais a “Pessoa 1”. Após isso, os diálogos entre elas serão muito menos absurdos e muito mais amigáveis.

1 COMENTÁRIO

  1. É simples. Como a Pessoa 1( Lula, Suplicy) resultaram, by the book, com a educação dada aos pimpolhos? Como a Pessoa 2 ( João Mellão, Geraldo Alckmin) resultaram fazendo o oposto? Cambada…

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