Cônsul da Itália detona Suplicy por defesa de terrorista Battisti: “total ignorância ou má-fé” 

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O cônsul geral da Itália em São Paulo, Michel Pala, perdeu a paciência diante da proposta absurda do vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT) para que o ex-ativista italiano Cesare Battisti seja julgado novamente antes de ser extraditado para a Europa.

Pala acusou o ex-senador e o jurista Dalmo Dallari, também defensor de Battisti, de se utilizarem de má-fé e de argumentos “delirantes” e de “total ignorância”. A comunicação foi feita por troca de mensagens eletrônicas entre o vereador e o cônsul geral no último dia 24. As informações são do Congresso em Foco.

Suplicy enviou cópia do texto que havia mandado para o presidente Michel Temer, com parecer de Dallari e do hoje ministro do STF Luis Roberto Barroso, que também atuou na defesa de Battisti. Suplicy disse que classifica a eventual extradição do ex-ativista como uma “decisão errada” e alega que o italiano foi julgado à revelia por defensores que falsificaram a procuração para o representá-lo.

“Há evidências de que ele não praticou os quatro assassinatos pelos quais foi condenado, acredito que a Itália não poderia exigir a sua extradição sem antes lhe assegurar novo julgamento de forma efetivamente isenta”, alegou Suplicy.

Michel Pala não deixou barato disse que o parecer de Dallari é um “verdadeiro insulto à Itália, suas instituições democráticas, seu sistema judiciário garantista e seu povo”.

Pala diz que o jurista, Suplicy e outros defensores de Battisti “tentam falsificar a realidade histórica e atual da Itália. “O professor Dallari escreve que a Itália de 1979 tinha um governo declaradamente neofascista e que essas conotações neofascistas estão presentes agora. O senhor se dá conta da gravidade dessas afirmações? Elas só podem ser fruto de total ignorância – que não é admissível num professor universitário e num ex-senador que se proclama muito amigo da Itália – ou de má-fé.”

Michel Pala refuta os argumentos de Dallari de que a Itália vivia um regime de exceção em 1979, época dos crimes atribuídos a Battisti. “E para o professor Dallari governos fascistas estão presentes ainda agora na Itália?! Dizer isto é simplesmente uma vergonha insultante. Como pode o senhor contribuir a propagar afirmações delirantes como essas?”.

“O senhor tem o direito obviamente de opinar como quer em relação a extradição do Battisti, mas chega de desinformação em relação à situação político institucional da Itália da época dos crimes de Battisti e de hoje”, reclamou.

Suplicy foi um dos principais articuladores do PT para a concessão do refúgio a Cesare Battisti em 2009. Agora ele encomendou um parecer jurídico a Dallari para tentar convencer o presidente Michel Temer a garantir a permanência do italiano no Brasil. O documento foi anexado à carta enviada pelo ex-senador a Temer.

A íntegra da mensagem de Suplicy ao cônsul italiano em São Paulo:

“Prezado Senhor Cônsul Geral da Itália em São Paulo, Sr. Michele Pala:

Como neto de italiano, muito amigo da Itália, venho transmitir o quanto considero que será uma decisão errada caso o Presidente Michel Temer venha a decidir pelo envio de Cesare Battisti à Itália. Eis porque lhe envio cópia de mensagem que enviei ao Presidente Temer sobre o tema, com parecer do Professor Dalmo Dallari e também do hoje Ministro Luís Roberto Barroso. Especialmente porque Cesare Battisti foi julgado em ausência, por defensores que falsificaram a procuração para o representá-lo, e porque há evidências de que ele não praticou os quatro assassinatos pelos quais foi condenado, acredito que a Itália não poderia exigir a sua extradição sem antes lhe assegurar novo julgamento de forma efetivamente isenta.

Respeitosamente,
Eduardo Matarazzo Suplicy
Vereador em São Paulo”

A íntegra da resposta do cônsul Michele Pala a Suplicy:

Ao Senhor Vereador Eduardo Matarazzo Suplicy

Em outras circunstâncias eu teria agradecido a gentileza de compartilhar a carta enviada ao Senhor Presidente da República Federativa do Brasil em relação ao caso Cesare Battisti, não fosse que a anexa análise do Professor Dalmo de Abreu Dallari contém afirmações que correspondem a um verdadeiro insulto a Itália, suas instituições democráticas, seu sistema judiciário garantistá e seu povo. Cada um obviamente tem liberdade de ter as próprias opiniões sobre o caso do Cesare Battisti. O que absolutamente não é admissível são afirmações que tentam falsificar a realidade histórica e atual. O Professor Dallari escreve que a Itália de 1979 tinha um governo declaradamente neofascista e que essas conotações neofascistas estão presentes agora. O senhor se da conta da gravidade dessas afirmações? Elas só podem ser fruto de total ignorância – que não é admissível num professor universitário e num ex Senador que se proclama muito amigo da Italia – ou de má fé. A Itália de 1979 era um estado democrático de direito. O Presidente da República era o socialista Sandro Pertini, um ex partigiano. Participava ativamente da vida democrática do país o maior partido comunista do mundo ocidental, partido que repudiava o terrorismo e a luta armada. E para o professor Dallari governos fascistas estão presentes ainda agora na Itália?! Dizer isto é simplesmente uma vergonha insultante. Como pode o senhor contribuir a propagar afirmações delirantes como estas? O senhor tem o direito obviamente de opinar como quer em relação a extradição do Battisti, mas chega de desinformação em relação à situação político institucional da Itália da época dos crimes de Battisti e de hoje.

Michele Pala

Cônsul Geral da Itália em São Paulo”

4 COMENTÁRIOS

  1. Por todas as informações que chegam ao meu pensar, vejo um claro desrespeito ao Estado Italiano. A Soberania do Estado italiano se encontra de joelhos perante interesses ideológicos de alguns indivíduos brasileiros, que por interesse pessoal e ideológicos claramente pendentes ao caos, aos quais só interessa à satisfação dos seus interesses pessoais e faccionários, que busca proteger criminosos estrangeiros ´junto às suas fileiras deletérias da moral ética e justiça. Essas pessoas, que, Surfando sobre riquezas pessoais milionárias se dizem representantes das minorias. Essas pessoas doentes politicamente não representam, nem o estado Brasileiro, tampouco a vontade e opinião do povo Brasileiro. Esse verme deve ser devolvido às suas origens, para que Italianos julguem um italiano. Chega de palhaçadas. Afinal, o Brasil é um País sério ou não? Até quando vamos continuar a ser o país da banana, ou, o país dos bananas?. Deportação jà!!!!!!!!!!!!!.

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