Mãe cuja filha tem Síndrome de Down é banida de debate para não “incomodar” quem abortou

COMPARTILHAR

O portal Sempre Família (traduzindo matéria do jornal Daily Mail) revelou revelou que a rede de televisão britânica BBC baniu a participação de uma mulher grávida, mãe de uma menina com síndrome de Down, em um debate exibido em 16 de outubro como parte do documentário Abortion On Trial (“O aborto em julgamento”), que discutiu a legislação sobre o aborto no Reino Unido. A produção foi clara ao confessar que a sua gravidez poderia “ofender” as participantes que já abortaram.

Sarah Costerton, de Londres, recusou o aborto quando um exame detectou que sua filha, Beth, hoje com quatro anos, tinha 50% de chances de nascer com a condição – e diz que ela e o marido, David, nunca se arrependeram da decisão. Atualmente, ela está grávida do seu terceiro filho.

Sarah chegou a ser entrevistada para participar do programa, mas a equipe de produção voltou atrás alegando que as outras participantes do debate – algumas das quais já abortaram – poderiam ficar incomodadas com a sua gravidez.

“Eles ficaram preocupados que a minha gravidez inibisse as outras pessoas de falar livremente ou causasse desconforto; que ela poderia ofender quem optou por abortar. Foi o que disseram […] Para mim, pareceu que a gravidez foi uma pedra de tropeço”.

Costerton, de 43 anos, disse ser inconcebível que um debate sobre o tema possa representar todos os pontos de vista se nenhuma das participantes é gestante: “A simpatia sempre está com as mulheres que já fizeram aborto e a sociedade espera que todo mundo se sinta assim. Qualquer um que não endosse isso é rotulado como direitista, anti-escolha e misógino”.

“Os comentários que já ouvi sobre a minha filha ter síndrome de Down são inacreditáveis. Os portadores da síndrome têm que aguentar ser ofendidos todos os dias”, afirmou. “Se mulheres que interromperam a gravidez estão dispostas a aparecer na televisão testemunhando isso e explicando seus motivos, eu grávida sentada ali não deveria fazer nenhuma diferença ou ser ofensivo”.

Esta não foi a única manifestação de parcialidade por parte do programa. De forma seletiva, o documentário omitiu dados de uma pesquisa de opinião encomendada pela própria emissora, ao ver que muitos deles mostravam que a população é contrária a estender a legalização do aborto no país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Coloque seu nome aqui